Escrever este depoimento é como entrar na máquina do tempo e resgatar doces
lembranças de uma infância marcada por muitas brincadeiras e leituras
compartilhadas com minhas irmãs. Lembro-me do meu primeiro contato com a
leitura no jardim da infância, tínhamos que fazer uma apresentação, e uma
vizinha, também mãe de um coleguinha, tentou nos ensinar a ler. Não deu certo,
pois o tempo para o ensaio e a apresentação era curto; entretanto a vontade de
aprender foi aguçada.
Não tive
problemas com a alfabetização e as lições do livro didático eram
prazerosas e motivantes, pois ficava imaginando como eram aquelas personagens.
Nesta época fazia poucas leituras extraclasses; no entanto tudo mudou a partir
da 5 série. A professora, logo no início do ano, indicou quatro livros para
cada bimestre, da coleção "Vagalume". O primeiro livro
era: Zezinho, o dono da porquinha preta, apaixonei-me
completamente pela leitura, reli o livro várias vezes e contei a história para
as minhas irmãs. Na contracapa haviam outros títulos e eu ficava imaginando as
outras histórias. Lembro-me que até sonhei que ganhara todos, meus pais na
época não tinham condições de comprar outros livros; então acabava relendo os
que tinha e imaginava os que não tinha. Quando a minha irmã entrou para a 5
série, lia os livros dela, alguns eram os mesmos que os meus, então eu contava
e recontava os enredos lidos. Dai nasceu a vontade de ser professora. Na
minha adolescência entrar em contato com a Literatura Brasileira e Universal
foi maravilhoso, nesta época era sócia do Círculo do Livro e Ediouro e esperava
ansiosamente a chegada de um novo livro. Esse amor aos livros continua
até hoje e procuro passar aos meus alunos, pois a leitura tem o poder de
encantar o nosso dia a dia, para mim é como uma terapia. Prefiro o livro
impresso e preciso ler diariamente, também gosto de compartilhar os livros e as
leituras feitas.
Assim
como a leitura, a escrita faz parte da minha vida desde que fui alfabetizada.
Lembro-me que tinha poucos problemas de ortografia, gostava de estudar
Gramática e lia muito. Como era tímida e tinha facilidade em escrever, nos
trabalhos escolares ficava com a parte da produção textual, esse fato ocorreu
até a Faculdade, também escrevia diários e ficção, escrevia
vários contos e poemas. Só minha irmã sabia era minha leitora, tinha muita
vergonha de contar para alguém.
Na escola
que leciono, tem um projeto que incentiva os alunos a leitura e escrita: Ampliando o Conhecimento, no ano de 2011 o
título proposto para o livro era Amor
entre Gêneros, o professor responsável pelas tumas precisaria enviar
os textos selecionados dos alunos, juntamente com seu texto de
apreciação, tive coragem e enviei um poema da minha autoria para
professora responsável do projeto, Eleksandra Medeiros Belmonte, que desde
o início me incentivou a compartilhar meus textos. Ela gostou,
e outras colegas também publicaram seus textos. Foi uma experiência
emocionante; pois na noite de autógrafos uma aluna da 7º ano leu meu
poema para o público. Gostei tanto da experiência que escrevi outros poemas,
hoje já não sinto tanta vergonha e , às vezes, publico algo no Facebook,
para compartilhar com os colegas. Como sou muito exigente comigo mesma, guardo
muitas coisas e outras só ficam no plano das ideias; entretanto, quando escrevo
é uma sensação mágica e indescritível.